Os riscos do bisfenol para a tireoide: você conhece?

Atualmente, os riscos do bisfenol para a tireoide tem sido objeto de estudos.

Não é novidade que as atenções se voltaram para o bisfenol-A há algum tempo.

Esta é uma substância presente no plástico que acarreta em danos à produção hormonal do organismo, em um processo chamado de disrupção endocrinológica.

O bisfenol está presente em diversos itens plásticos do nosso cotidiano, tais como potes para guardar comida, copos descartáveis e até em mamadeiras infantis.

Felizmente, toda a conscientização realizada sobre o assunto fez que a indústria colocasse nas prateleiras plásticos livres de bisfenol. Esses produtos costumam vir sinalizados com um selo, para comodidade do consumidor.

Mesmo assim, vale a pena saber mais sobre os riscos do bisfenol para a tireoide. Siga a leitura para saber mais.

Quanto bisfenol faz mal?

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, até 0,6mg de bisfenol por quilo de alimento não é prejudicial à saúde. Alguns estudos detectaram que o ser humano ingere, por dia, até 10mg dessa substância.

No entanto, o bisfenol é cumulativo no organismo. Ou seja, o que é ingerido em um dia não é eliminado por nenhuma via. Assim, a máxima da toxicologia sobre “a dose é que faz o veneno” pode não se encaixar bem para o bisfenol.

Uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, reforça ainda mais essa hipótese em artigo publicado pela Agência Fapesp. Os universitários realizaram experimentos em ratos, que ficaram expostos a doses bem mais baixas que aquelas consideradas seguras pelos órgãos reguladores.

Ficou comprovado que o bisfenol A e um herbicida à base de glifosato alteravam a regulação dos hormônios da tireoide. Principalmente quando a exposição ocorre durante o período de gestação, de aleitamento e também durante a puberdade.

Isso porque, nessas fases, ocorre o desenvolvimento embrionário do organismo, assim como importantes mudanças hormonais que servem para amadurecer o corpo para a fase adulta. O padrão observado pelos pesquisadores nos grupos expostos foi bastante similar à condição de hipotireoidismo.

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Cuidado com as mudanças de temperatura

Os mesmos pesquisadores estudaram, ainda, a liberação do bisfenol A presente na composição de plásticos duros, como o de policarbonato, quando submetidos a brusca mudança de temperatura.

Um décimo da dose considerada segura foi suficiente para mudar substancialmente os padrões hormonais de ratos machos durante a fase de puberdade. Os pesquisadores observaram a elevação do TSH no sangue dos animais.

Além disso, caiu muito o nível de T4, o que ocasionou no aumento do T3. Este é um padrão mais reconhecido em pessoas com mutação no gene que codifica a proteína transportadora MCT8. Pacientes com essa mutação costumam apresentar graves alterações neurológicas.

Esse padrão está bastante relacionado aos casos de hipertireoidismo.

Portanto, fica claro que os riscos do bisfenol para a tireoide são altos mesmo com doses baixas. Espero que este artigo ajude a conscientizar ainda mais sobre os perigos dessa substância.

Para saber mais, assista ao vídeo abaixo e aproveite para se inscrever em meu canal do YouTube.

Dr. Eudes Taralo

Fascinado por ciência e pela compreensão do ser humano sob uma perspectiva integrada e global, o Doutor Eudes Tarallo nunca se conformou plenamente com a grande maioria das respostas oferecidas pela medicina ocidental comum.

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