Quais os efeitos dos anticoncepcionais na tireoide?

Muito tem se falado sobre os cuidados com o uso de anticoncepcionais e essa é uma preocupação genuína. Desta forma, no artigo de hoje, vamos entender quais são os efeitos dos anticoncepcionais na tireoide, além de compreender como acontece essa alteração hormonal.

O anticoncepcional serve única e exclusivamente para inibir a produção dos óvulos evitando que eles sejam fecundados pelos espermatozóides após a relação sexual.

Contudo, as mulheres tomam anticoncepcionais por diversos motivos, sendo que evitar a gravidez é apenas um deles.

Alguns médicos indicam o uso de anticoncepcionais para tratar de disfunções como os ovários policísticos, para regular o ciclo menstrual ou para equilibrar manifestações do organismo feminino, como a acne.

Sendo assim, o objetivo deste conteúdo é esclarecer os riscos que o anticoncepcional apresenta para a saúde da mulher e, principalmente, para a tireoide.

Se você quer tirar duas dúvidas sobre este assunto e descobrir quais são os efeitos dos anticoncepcionais na tireoide, siga com a leitura até o final.

Vamos lá?

Entenda como a alteração hormonal acontece

Anticoncepcionais comuns possuem estrogênio na sua composição e este elemento aumenta a presença de uma substância chamada TBG – da sigla inglês para Globulina Ligadora de Tiroxina – no organismo na mulher.

Vale destacar que existem outras condições que aumentam os níveis de estrogênio no corpo, como por exemplo, a gravidez ou a reposição hormonal durante a menopausa.

No entanto, a função da TBG é servir como proteína de ligação para os hormônios da tireoide (T3 e T4), permitindo sua circulação pela corrente sanguínea. 

A alta da TBG causada pelo estrogênio presente no anticoncepcional pode desregular a presença desses hormônios afetando o desempenho da tireoide.

Além disso, os anticoncepcionais reduzem a absorção de selênio e zinco que são primordiais para o bom funcionamento do hormônio T3 em sua forma ativa. A demanda de vitaminas do complexo B também pode aumentar por conta do uso do anticoncepcional.

O uso do anticoncepcional também deixa o corpo mais inflamado aumentando o risco de doenças autoimunes como a tireoide de Hashimoto. 

Com o corpo inflamado, mais T3 reverso é produzido ao invés do T3 na forma ativa. O T3 reverso em grande quantidade, faz com que o organismo armazene mais gordura e aumentando a sensação de cansaço.

Alimentação rica em zinco

Ao incluir alimentos ricos em zinco na alimentação do dia a dia tem-se um organismo com inflamações reduzidas, melhora na imunidade e ciclos menstruais regulares, sendo que ele nutre os folículos ovarianos promovendo a ovulação.

O consumo de zinco também reduz a queda de cabelo tão comum no hipotireoidismo e deixa a pele mais bonita, porque age sobre a produção do colágeno.

Deste modo, as melhores fontes de zinco são as ostras e carnes (bovinas, suínas e aves).

Efeitos dos anticoncepcionais na tireoide

Os anticoncepcionais destroem o selênio, o zinco e o aminoácido tirosina, sendo que essas vitaminas e minerais são primordiais para o bom funcionamento da tireoide.

Assim sendo, observe abaixo os principais efeitos dos anticoncepcionais:

  • Eles suprimem a produção de estrogênio e progesterona naturais, impedindo a ovulação e afinando o revestimento uterino;
  • Aumentam o risco de coágulos sanguíneos e derrames;
  • Podem aumentar o risco das mulheres desenvolverem osteoporose;
  • Estimulam a mudança do ramo imunológico Th1 para o Th2, desequilibrando o sistema imunológico;
  • Alteram a flora intestinal, permitindo que leveduras e outros organismos patogênicos prosperem;
  • Aumentam o risco de câncer de mama, ovário e fígado;
  • Prejudicam a capacidade de construir musculatura, mesmo praticando exercícios regularmente;
  • Podem diminuir o desejo sexual, diminuindo a testosterona;
  • Aumentam a atividade do TBG (Globulina de Ligação à Tiroxina), reduzindo a produção do hormônio tireoidiano pelo seu organismo, como já vimos;
  • Podem apresentar lactose, o que é um problema para pessoas que possuem Hashimoto, que normalmente apresentam intolerância a lactose a ao glúten;
  • Diminuem a produção de DHEA, hormônio antienvelhecimento;
  • Esgotam o corpo de vitaminas folato, B12 e B6, deficiência que pode resultar em anemia, depressão e outras condições graves.

Desta forma, consulte seu médico sobre o uso de anticoncepcionais, principalmente se você apresentar problemas ligados a tireoide.

Ele vai poder lhe passar o método contraceptivo correto e que seja benéfico para sua saúde.

Como substituir os anticoncepcionais hormonais?

Existem diversos métodos contraceptivos no mercado, mas a maioria deles tem como base de composição os hormônios sintéticos como estrogênio e progesterona.

Apesar disso, quando a mulher deseja cultivar uma vida saudável a longo prazo precisa optar por métodos contraceptivos que não utilizem hormônios na sua composição.

Veja alguns exemplos de métodos contraceptivos não hormonais:

  • Camisinha feminina;
  • Camisinha masculina;
  • DIU de Cobre;
  • DIU de Prata;
  • Diafragma.

Mas atenção! Procure se informar sobre cada um dos métodos contraceptivos antes de optar por aquele que se encaixa melhor no seu estilo de vida.

Pense a longo prazo (sempre)

O uso ou não de anticoncepcionais pode depender de diversos fatores e somente o seu médico poderá afirmar se é indicado para você ou não.

Entretanto, buscar conhecimento e se informar sobre o assunto é o primeiro passo para se ter uma vida saudável, pois você poderá tirar todas as suas dúvidas com o especialista que lhe acompanha.

Pensar a longo prazo nos ajuda a tomar decisões mais assertivas.

E quando se fala em saúde, isso é extremamente importante, sendo que algumas atitudes podem surtir efeitos por muito e muitos anos, como é o caso do uso de anticoncepcionais.

Na dúvida, converse com seu médico.

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Dr. Eudes Taralo

Fascinado por ciência e pela compreensão do ser humano sob uma perspectiva integrada e global, o Doutor Eudes Tarallo nunca se conformou plenamente com a grande maioria das respostas oferecidas pela medicina ocidental comum.

Tudo que você precisa saber sobre hipo & hiper tireoidismo